Greve é direito constitucional: Instrumento de luta dos Trabalhadores

Greve Geral do dia 14 de junho mostrou a força dos trabalhadores contra a reforma da previdência

Editorial

Trabalhadores de 26 estados e distrito federal paralisaram suas atividades no último dia 14 de junho contra a reforma da previdência que tramita na câmara dos deputados e contra o corte de verbas para a educação pública. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foram cerca de 45 milhões de trabalhadores que cruzaram os braços.
Em Arujá, linhas municipais ficaram fora de operação e as intermunicipais trabalharam parcialmente. A Trans Dutra e a Viação Arujá não disponibilizaram ônibus. Apenas a Radial manteve suas atividades.
Escolas funcionaram parcialmente. Das escolas municipais, 7 permaneceram totalmente paradas, a maioria com adesão parcial e apenas 6 teriam funcionado normalmente. Segundo dados do portal G1, Em Guararema, Suzano e Mogi das Cruzes algumas escolas não tiveram aulas. Em Suzano e Mogi das Cruzes, os bancos iniciaram suas atividades às 13h00.

OS MOTIVOS DA GREVE GERAL

O grande motivo que levou às centrais sindicais convocarem greve geral foi a proposta de Reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro que desconstrói o atual sistema de repartição da Seguridade Social para impor um regime de capitalização para custear a Previdência Social no Brasil.
O atual sistema de repartição, prevê a contribuição do empregado, do empregador, da União, da sociedade, por meio de diversos impostos pagos. Ou seja, é um sistema solidário que tem por objetivo oferecer benefícios para toda a sociedade, não apenas por meio da Previdência, mas também para custar a Saúde Pública e a Assistência Social.
O regime de capitalização, uma das grandes mudanças impostas pelo atual governo, prevê a contribuição apenas do trabalhador, como uma poupança, em forma de previdência privada. Se ele não contribuir, por estar desempregado, ou não conseguir fazer sua poupança pelo fato do salário ser insuficiente, não terá direito à aposentadoria.
Outro ponto importante é a ampliação do tempo de contribuição para 40 anos, sob a alegação de que o brasileiro tem a expectativa de vida ampliada. Tal argumento não leva em consideração as grandes desigualdade sociais e econômicas no Brasil, pois se há regiões prósperas com qualidade de vida suficiente para o aumento da expectativa de vida, há numerosas outras regiões em que a pobreza e as precárias condições de vida não permitem alcançar idade de 55, 60 anos, o que compromete a possibilidade de aposentadoria dos trabalhadores, pois boa parte deles entram já tardiamente no mercado de trabalho.
Outro motivo que levou à greve geral do dia 14 de junho foi a declaração do ministro da educação Abraham Weintraub de corte de 30% no orçamento das universidades para uma suposta aplicação na educação básica. Entretanto, de acordo com o Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo ( SIOP) o congelamento dos investimentos em todas as etapas de educação passaria de R$ 7 bilhões. Só na educação básica o valor suspenso seria de R$ 914 milhões, o que incluiria verbas para construção e manutenção de escolas e creches, capacitação de profissionais da educação, merenda escolar e transporte.

GREVE É DIREITO CONSTITUCIONAL

Diante deste cenário preocupante, vale à perguntar: O QUE DE FATO PREJUDICA OS ESTUDANTES: A GREVE OU A SUSPENSÃO DE VERBAS? O QUE DE FATO PREJUDICA O TRABALHADOR: A FALTA DE TRANSPORTE EM 1 DIA OU A POSSIBILIDADE DE ELE SER LESADO POR PAGAR UMA PREVIDÊNCIA E NÃO CONSEGUIR SE APOSENTAR?
Mais do que explicitar a opinião de alguns grupos que não percebem a gravidade da situação imposta pelo atual governo que ATÉ O MOMENTO NÃO CRIOU NENHUMA PROGRAMA DE GERAÇÃO DE EMPREGO OU DE INCENTIVO À PRODUÇÃO ECONÔMICA, é ampliar o debate sobre a importância do trabalhador se colocar CONTRA PROPOSTAS QUE RETIRAM DIREITOS FUNDAMENTAIS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
Nas escolas públicas de Arujá é comum pais participarem ativamente por meio da Associação de Pais e Mestres. Dado as escolas serem espaços públicos, em nenhum momento será vedada a presença dos pais e responsáveis. NÃO SE FAZ NECESSÁRIO FAZER CERTAS AMEAÇAS AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA. AFINAL, A GREVE GERAL TEVE POR OBJETIVO GARANTIR NÃO APENAS OS DIREITOS DESSES PROFISSIONAIS, MAS TAMBÉM OS DIREITOS DOS PRÓPRIOS ESTUDANTES DE UM DIA PODEREM USUFRUIR DE SUA APOSENTADORIA.
Os órgãos de atendimento às reclamações se fazem presentes EM TODA INSTITUIÇÃO PÚBLICA. OS PAIS E RESPONSÁVEIS PODEM SE MANIFESTAR, ASSIM COMO OS TRABALHADORES TAMBÉM PODEM, POIS TÊM O LEGÍTIMO DIREITO CONSTITUIÇÃO DE EXPRESSAR SUA OPINIÃO CONTRA UM GOVERNO QUE PRETENDE PRIVILEGIAR BANQUEIROS, AO ENTREGAR A ESTES UM SISTEMA ALTAMENTE LUCRATIVO COM A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE UMA PREVIDÊNCIA PRIVADA FORMADA POR TÍTULOS DE CAPITALIZAÇÃO.
O fato é que esta Reforma da Previdência NÃO ATACA PRIVILÉGIOS, POIS SEQUER COBRA OS CERCA DE R$ 450 BILHÕES DEVIDOS POR SONEGADORES, também não inclui as altas aposentadorias das cúpulas dos 3 poderes.
Portanto, é justíssima a realização da greve geral pelos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil.