Comemorar 167 anos de fundação é o maior erro histórico!

Por Afrânio Barreto, historiador.

Quando comemoramos hoje 167 anos de história, estamos nos remetendo ao ano de 1852, quando Arujá, tornou-se “freguesia”, isto é; (Circunscrição eclesiástica que forma a paróquia; sede de uma igreja paroquial, que servia também para a administração civil). O erro histórico é o poder público municipal, acreditar que essa data serve como o início da “Fundação” que hoje entendemos como cidade.
Existem registros (documentos primários), em que havia povoamento nas décadas dos séculos XVI; XVII; XVIII. E em 1824, parte da população arujaense, fez um abaixo assinado, para que o lugar pertencesse a Santa Isabel e se divorciasse de Mogi das Cruzes. Solicitavam que a distância para Mogi, era penoso demais. No ano de 1580, as terras de “Ururaí”, hoje: São Miguel distanciava-se 06 léguas em quadra (36 km quadrados), que abrangia onde estamos hoje. Já no início de 1600, a expansão territorial assumiu novas características, com as modestas doações de terrenos municipais, onde os colonos emitiam um documento pra Câmara Municipal de São Paulo, desejando título definitivo a terra, para ocupar e constituir família. Então comemorar 167 anos de história é não reconhecer o processo histórico dos séculos passados. Se a Paróquia (Igreja Matriz), Senhor Bom Jesus do Arujá, teve início em 1680, como “Capela Orada”, eu devo omitir, toda a história daquele período? Fica a dica!
“O processo de estudo funciona como a construção de um vaso antigo; a partir de seus fragmentos, encontrados séculos depois, cada parte traz informações sobre o conjunto do vaso, as partes vizinhas, sobre quem o fabricou, depois.”

Afrânio Barreto – Vem catalogando histórias, documentos sobre as histórias da cidade. É autor do livro: Arujá – história e memória, 2011.