Prefeito e Secretária de Educação autorizaram compra de munição com recurso oriundo do ensino infantil


A secretária de Educação de Arujá, Priscila Sidorco, afirmou ter autorizado a retirada de dinheiro e participado do processo de compra de munição para as armas da Guarda Municipal com recursos da Educação. Em sua justificativa, a secretária considerou ser normal a devolução de parte do orçamento da pasta, afirmação rebatida pelo vereador Renato Caroba (PT), e não apontou soluções para os problemas questionados pelo parlamentar durante prestação de contas realizada no dia 25 de abril na Câmara Municipal.

“Perguntei à secretária se a Educação não precisa de recursos, já que ela mesmo autorizou a retirada de parte de orçamento para comprar munição para a guarda municipal. Infelizmente, ela não soube responder. É uma postura lamentável diante de tantos problemas que temos presenciado, como o rodízio de crianças que alternam o dia de ida à escola pelo déficit de professores, a falta de manutenção e conservação da estrutura de muitos prédios escolares e as péssimas condições de trabalho e atendimento aos alunos”, destacou.

Caroba tem sido um crítico fiel da gestão educacional de Arujá diante dos inúmeros problemas que afetam o setor. A justificativa da pasta aos argumentos e cobranças do parlamentar é que faltam recursos e que a dotação orçamentária é insuficiente para suprir as necessidades da área devido ao valor elevado de sua folha de pagamento. Este mesmo argumento foi utilizado na tentativa do governo de terceirizar as creches municipais de Arujá.

Caroba não só questionou a medida como apontou as inúmeras ilegalidades no processo de gestão compartilhada da educação infantil da cidade. O edital acabou sendo anulado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TC-SP).

Recentemente, o parlamentar também questionou o desvio de função de professores da rede municipal, informação confirmada pela secretária Priscila Sidorco, assim como o rodízio de alunos que se alternam na ida às aulas diante da falta de profissionais.

Em audiência realizada recentemente na Câmara, Priscila admitiu que em Arujá há vários professores da educação infantil atuando no ensino fundamental, ou seja, assumindo uma atribuição muito diferente da que foram admitidos em concurso público.

Segundo Caroba, é inadmissível que diante de tantos problemas e necessidades orçamentárias enfrentadas pela Secretaria de Educação, a pasta abra mão de recursos, ainda mais para comprar armamento. “Como podem agora não precisar mais de recursos?”, questionou.

A secretária confirmou que a ideia de utilizar parte do orçamento da Educação para armar a guarda municipal foi uma decisão do prefeito José Luiz Monteiro (MDB) com a Secretaria Municipal de Finanças.

“Tudo contou com o consentimento da secretária, que foi consultada e inclusive autorizou a liberação de parte do orçamento que deveria ser investido em livros ou na qualificação dos servidores da educação, na estrutura das unidades escolares e em outras melhorias para o ensino, mas que está sendo usado em armas. Está claro que o problema não é a falta de recursos para investir no setor educacional, mas que a Educação não é prioridade para o governo do prefeito Zé Luiz”, ressaltou.

Via assessoria de imprensa do vereador Renato Caroba