Manifestantes protestam CONTRA A DITADURA MILTAR EM TODO O BRASIL

Da redação

Neste domingo, dia 31/03, foram realizadas manifestações em diversas capitais e cidades brasileiras contra a ditadura militar que completou 55 anos. Já na manhã de sábado, em São Paulo, manifestantes fizeram ato em frente ao prédio do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo,  levando fotos de familiares desaparecidos. Estiveram presentes parentes de vítimas de tortura e assassinadas, bem como representantes de entidades da sociedade civil, como o Instituto Vladimir Herzog. Mais de 5.600 presos políticos teriam passado por este órgão do regime militar utilizado contra seus opositores.
    No domingo, em São Paulo, as manifestações ocorreram na Avenida Paulista e no Parque do Ibirapuera.  No Rio de Janeiro, os protestos reuniram centenas de pessoas na Cinelância, no centro da cidade. Também houve protesto contra o governo de Jair Bolsonaro e lembrança ao assassinato da vereadora Marille Franco, morta em fevereiro de 2018.
    Em Mogi das Cruzes, manifestantes se reuniram em frente à Universidade de Mogi das Cruzes, vestidos de preto e realizaram uma passeata com protestos contra a ditadura militar.

Foto Washington Luiz

ATOS FORAM CHAMADOS APÓS AUTORIZAÇÃO DO PRESIDENTE PARA COMEMORAR A “REVOLUÇÃO” MILITAR
    Na última segunda-feira, 25 de março, o porta-voz da presidência da república Otávio Rego de Barros informou que o presidente Jair Bolsonaro havia determinado ao Ministério da Defesa que se fizessem as comemorações devidas ao 31 de março de 1964. Na sexta-feira, 29 de março, em ação movida pela Defensoria Pública da União, a juíza federal Ivani Silva da Luz havia determinado que a União “se abstenha” de fazer comemorações ao golpe militar. Entretanto, na manhã deste sábado, 30 de março, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1º Região derrubou a liminar.

31 DE MARÇO: REVOLUÇÃO OU GOLPE?
    Segundo o  Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) que é a Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas, o golpe ocorreu na madrugada de 31 de março de 1964 contra o governo legalmente constituído de João Goulart que não encontraram resistência diante das forças militares da época. Nem mesmo a greve geral articulado Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) conseguir êxito. Goulart, para evitar confrontos, seguiu para o exílio no Uruguai, de onde retornaria ao Brasil apenas para ser sepultado em 1976.
    Segundo dados do CPDOC, nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu aos movimentos politicamente organizados à esquerda como a CGT, União Nacional dos Estudantes, Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Os documentos catalogados pelo CPDOC ainda mostram que milhares de pessoas foram presas de modo irregular e que eram comuns casos de tortura, em especial no nordeste. O líder Gregório Bezerra, por exemplo,  teria sido amarrado e arrastado pelas ruas de Recife.
Fonte: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964