O fim do Ministério dos Esportes

Com o início do novo governo federal, alguns planos e promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro começaram a tomar forma, uma delas seria a suposta redução do número total de ministérios. Tal promessa efetivamente não foi cumprida da maneira esperada por seus eleitores, já que o número de ministérios continuou acima de 20, e longe do máximo de 15 prometidos ao logo da campanha presidencial.

    Mesmo com mais de 20 pastas, algumas importantes mudanças aconteceram, e pouco a pouco serão sentidas pela população, entre tais mudanças está o fim do Ministério do Trabalho com seus desdobramentos negativos para o trabalhador.

Outra mudança importante, mas infelizmente esperada, foi o fim do Ministério dos Esportes. Podemos dizer que já esperávamos por tal medida desde o início da campanha, pois no plano de governo do candidato eleito não constava em parte alguma a palavra “esporte”, o que já era motivo de grande preocupação, porque sabemos que o desenvolvimento de uma nação passa por diversos fatores, entre eles especialmente a Educação e Saúde, e o Esporte é elemento fundamental associado à Educação e a Saúde de um povo.

Primeiramente temos que entender que sempre coube ao Ministério dos Esportes, desde sua criação na década de 1990, a construção de uma Política Nacional de Esporte, que vise o incentivo ao Esporte, a criação de programas e bolsas de incentivos, com o objetivo de alavancar o Esporte Nacional, fazendo com que o país aproveite todo seu potencial humano, trazendo mais conquistas esportivas ao criar um sentimento pró-esporte, associado a Educação e a Medicina Preventiva tendo como resultado geral mais saúde para a população e mais benefícios oriundos do Esporte em vários campos.

Mesmo que os resultados até aqui não tenham sido efetivamente concretos à primeira vista, não podemos negar a importância de uma pasta exclusiva para o Esporte, ainda mais quando falamos sobre as características e necessidades do Brasil. O Bolsa Atleta, por exemplo, foi fundamental na vida de diversos medalhistas olímpicos, e o Brasil saltou de patamar nas competições olímpicas ao compararmos com a média de conquistas até Barcelona 1992 (menos de 08 medalhas por jogos), e após Atlanta 1996 (sempre acima de 12 medalhas).

Tal efeito mostra ascensão do país, sendo que pelo tamanho de nossa população, essa ascensão é esperada e estamos atrasados em relação a isso. Provavelmente esse processo será interrompido, não apenas pelo corte de bolsas que vem acontecendo desde o governo Temer, mas especialmente pelo fato de que o Esporte esta longe de ser importante para o atual governo.

Muitos argumentam que existe uma gama de países que não contam com um Ministério ou uma secretaria exclusiva para os Esportes.

Mas se esquecem de que nos Estados Unidos, por exemplo, existe uma cultura esportiva, e um plano nacional de esporte ligado à Educação desde os primeiros anos, passando pelo ensino médio e chegando à universidade, sendo assim, esse argumento não é válido quando comparamos as políticas voltadas para o esporte em cada país, e a efetiva falta de uma política para o esporte no nosso país. Enquanto existia um Ministério do Esporte no Brasil, poderíamos identificar que existia no mínimo um projeto onde municípios e estados poderiam se pautar, agora nem isso.

Quando pensamos que além do fim do Ministério dos Esportes, observamos a Educação Física Escolar por um fio, chegamos à conclusão que estamos vivendo momentos sombrios no país e só o clamor popular poderá salvar os sonhos e a saúde de nossos jovens e o bem estar geral de nossa população.

Olan Felipe Avila

Formado em Educação Física Licenciatura e Bacharelado, Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Esportivo, atua como Personal Trainer e como Professor Efetivo da rede Estadual de Ensino Paulista, ativista da área da Educação e Direitos Humanos.